domingo, 14 de abril de 2013

Noites

Dou por mim a tentar dormir e tudo o que faço é pensar e pensar, pensar no que foi dito, o que ficou por dizer, o que poderia ter feito e o que ficou por fazer, recordo o teu cheiro, o teu beijo, o teu jeito, recordo o teu calor, o olhar, os suspiros arrancados e gemidos desenvergonhados, e nesse momento dou por mim a querer ter te ali... O sussurrar ao ouvido, o suor entre dois corpos que naquele momento se unem como se fosse um... dou por mim com mil pensamentos a querer ter te mais uma vez, a pensar como irei falar-te o que irei dizer-te mas nesse instante sou invadida por um ciume irracional e obsecisso e penso onde estás, com quem e onde, o porque de tanto afastamento, o porque de nunca estares presente, e nesse momento voltam todas as perguntas sem resposta, todo o meu medo e insegurança, toda a insegurança de quem já foi traído por outro alguém, toda a preocupação de quem gosta, o receio de não ser correspondido da mesma forma e ser apenas um momento de prazer, todo o medo de não ser suficiente e de perder o que nem se quer se tem. Ergue-se ai a muralha da estupidez, do ataque, do acusar, do descontrolo, da impaciência... é nesse momento de intolerância que te mando mensagem, com as minhas assombrações e dúvidas com raiva tomando decisões contrarias ao que sinto quando na verdade a minha maior raiva é não te ter ali, e todas essas ações em vez de te trazer para perto apenas te afastam e afastam, como se estivéssemos em dois continentes diferentes separados pelo oceano, é nesse momento que a possibilidade do que poderia um dia ser caí no abismo, gerando mais e mais discussões sem sentido e nexo nas quais nenhum de nós tem razão, quando o que queria era apenas a oportunidade de recuar e recomeçar, de rir em vez de discutir, de brincar em vez de atacar e ser atacada, de estar em vez de ser desprezada... Saudades dos tempos em que as mensagens eram constantes, as conversas fluíam naturalmente e o querer estar parecia mutuo... Saudades de um começo que nunca o foi.

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